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Insights em conflito: Brasil X EUA

Tem um tempinho que não escrevo aqui no blog. Estou preferindo usar vídeos para passar os insights que costumava passar por aqui, porém me faz falta escrever aqui também… então resolvi voltar. Devo postar com um pouco menos de frequência que antes, mas estou de volta.

euausa

Quem tem me acompanhando nas redes sociais ou no e-mail semanal, sabe que estou passando bastante tempo em San Francisco, EUA. Comecei ano passado com uma empresa e agora estou com outras iniciativas por lá. Acho que estou começado a absorver o mindset americano para negócios e gestão, o que tem gerado alguns conflitos com meu mindset brasileiro. Pode parecer óbvio e até idiota para alguns, mas quero compartilhar esses pensamentos com vocês:

· Amigos, amigos, negócios a parte – Aqui no Brasil temos uma lealdade maior a amizade que ao negócio. É comum você aguentar um funcionário ineficiente ou um sócio que não traz muitos resultados. Por lá, isso é altamente criticado e mal visto. Um advogado me falou que se eu realmente quisesse crescer, eu precisaria ser um “bad boy”, algumas vezes, colocando o resultado a frente de qualquer relação. Isso soa péssimo, não é verdade? Porém, se você olhar para os caras que cresceram de verdade (tipo Zuckerberg, Jobs, Gates, etc.), eles tinham um foco no business em primeiro lugar. Enfim, ainda tento manter o jeito bonzinho do brasileiro com o direto do americano, vamos ver até quando essa dualidade vai aguentar.

· Cresça rápido ou volte para casa rápido – A minha mentora lá, já me disse essa frase umas 500 vezes. Sabe aquela coisa de você ter um crescimento sustentável de 10 usuários hoje, 20 mês que vem, 100 até o fim do trimestre? Esquece! Ninguém vai colocar dinheiro em você se você não crescer realmente rápido. Isso está mexendo com meu ponto de vista sobre startups aqui no Brasil. Investir em uma ideia semente ou algo já com tração? Aí, você se pergunta: Se eu tiver tração para que preciso de investidor? Bem, sem tração, você não vai ter nada.

· Qualidade de vida é para os fracos – É um crime para minhas orelhas ouvir isso, mas tem sido uma constante. Os caras dão um valor incrível para aquele empreendedor que chega às 7h da manhã e sai às 22h. Trabalhar duro é sinônimo de sucesso para muitos por lá. Quando eu venho com o meu conceito de trabalhar de forma inteligente, com mais resultado, eles me olham torto. Problema deles. Isso é um valor meu, uma realidade, uma coisa que é possível e isso nunca vai mudar, dane-se o que eles pensam! Auhauhau…

· Eu sou sua mentora, não sua amiga – Aqui a gente tem mania de transformar todo mundo em amigo, o que é normal. Lá, eles podem ser super próximos de você, mas se tiverem uma relação profissional, é difícil eles cruzarem a linha para a amizade. Meu co-founder que é americano, é meu amigo, vem na minha casa e tal. Porém, a amizade nasceu antes da empresa. Minha mentora, que é uma super empreendedora, investidora, etc. vive dizendo que me adora, me dá um baita apoio, mas já disse várias vezes que é minha mentora e não minha amiga. Cruel, não? Mas é verdade. Quando eu fazia mentoring para CEOs, eu sempre falava isso, porque quando criava amizade, o processo de mentoring acabava prejudicado em algum momento. Passado o mentoring, pode nascer uma verdadeira amizade, antes disso pode atrapalhar a objetividade dos feedbacks.

· Americanos são fofos – O pessoal diz que americano é frio. Mentira. Americanos, quando você os conhece e convive com eles, são iguais a gente. Super atenciosos, amorosos, amigos, ajudam, etc. A relação pessoal com eles é muito boa. Não posso reclamar. Isso não contradiz o que disse acima. O que muda é a relação profissional, esse papel é muito bem estabelecido e dificilmente cruza barreiras, tendo seus limites (que aqui não temos e por isso sobra mimimi).

· Faça uma coisa bem feita e cresça ao redor disso – Eu conheci a mulher que criou a marca Waze, o posicionamento, etc. Ela era diretora de marketing desde o começo e o insight dela para o Waze se diferenciar no mercado de GPS foi fazer apenas uma coisa bem feita e crescer e criar recursos ao entorno disso. O nosso erro é que quando fazemos algo, queremos adicionar milhões de recursos, imagens, frufrus, etc. Isso só perde foco, tempo e posicionamento. Escolha bem uma prioridade, foque nela e cresça nela! Simples não?

Tem mais alguns insights, dezenas deles na verdade, mas com o tempo vou compartilhando.

Se ainda não assina, veja meu canal de vídeos no Youtube: www.youtube.com/christianbarbosa

Até a próxima!

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