Criatividade no trabalho torna a produtividade muito mais prazerosa.

by Américo Barbosa

Aliar prazer e produtividade no trabalho é possível. A criatividade ajuda a encontrar processos e resultados inovadores que, na grande maioria das vezes, ajuda a melhorar o resultado pretendido com o esforço.

O ser humano, ao longo da vida, se torna cada vez menos criativo. Mas é essa característica que serve como primeiro passo para vencermos os paradigmas do nosso dia a dia, na empresa, em casa, na vida.

No mundo empresarial, o profissional que sabe usar a criatividade a seu favor é capaz de enxergar o que pode ser modificado em prol de prazer e produtividade e diferenciá-lo do que não muda.

O segredo está em educar a percepção e buscar não a resposta certa, mas a pergunta certa. Os paradigmas são problemas que costumam se tornar quase-definitivos na nossa mente, e a forma como lidamos com eles é que os torna inquebráveis ou não.

Como uma pessoa enxerga os fatos que aparentemente não têm solução? Quem responde que determinado problema ‘não tem jeito’ ou que o modo de executar certa tarefa ‘sempre foi assim’ acostuma-se a nunca buscar uma solução criativa.

Perguntas certas

Isaac Newton, inglês que viveu no século XVII, revolucionou o estudo da física ao desenvolver as principais teorias da gravidade. Se ele tivesse simplesmente reclamado porque uma maçã lhe caiu na cabeça, talvez não tivesse pensado em um modo de explicar por que aquela fruta caiu sobre ele.

Albert Einstein, alemão que formulou a teoria da relatividade, se tornou notável ao resolver um paradigma científico formulado por Newton 200 anos antes. Enquanto todos os outros achavam que o problema não tinha solução, ele simplesmente olhou de forma criativa para o céu e fez uma pergunta simples e divertida: será que a luz faz curva?

A primeira postura para quebrar os paradigmas é fazer as perguntas certas. Não é maravilhoso? Você só precisa formular dúvidas. Os chineses quando contratam alguém sempre perguntam: você tem dúvida? Em geral o candidato, afoitamente e cheio daquela autoconfiança corporativa responde com tom super afirmativo: não tenho dúvida. E aí o seu líder ou examinador lhe diz: você imaturo. Mas se ele responde que tem dúvida, vai ouvir: você maduro né. Claro que logo após ele espera que o seu funcionário formule uma dúvida criativa. Igual como uma criança fazendo aquela pergunta criativa que deixa o pai todo orgulhoso frente às visitas.

Quando alguém vem falar que algo não tem solução ou não vai dar certo, é preciso questionar ‘por que não?’. Dizer isso de forma fundamentada ajuda a avaliar se há alguma chance de quebrar um paradigma e transformar algo impossível em um bom resultado.

Depois, é preciso dizer “e daí?” para os acomodados e pessimistas que previam resultados desastrosos para um projeto ou processo inovador. O criativo deixa-se envolver pelo problema para encontrar a solução, mas não se deixa ser engolido por ele. Essa diferença demonstra atitude proativa diante das dificuldades e vontade de enfrentá-las.

Disseminando criatividade

O ambiente é determinante para incentivar a criatividade. O mercado está sempre mudando. Por esse motivo, a criatividade e a inovação são as chances que as empresas têm para se renovar. Mas há empresas que pensam no mercado como algo sempre igual. Uma empresa criativa só se faz com pessoas criativas.

É uma questão da cultura da companhia. Uma secretária criativa vai estimular seu executivo e vice-versa. É uma cadeia de Criatividade. Até a copeira vai sentir que pode servir o café de um jeito novo. Não é preciso ser um Professor Pardal, basta buscar fazer as coisas de forma mais prazerosa, inovadora, profissional e produtiva.

A mais famosa pesquisa sobre a capacidade criativa foi feita por dois americanos, os pesquisadores  George Land e Beth Jarman. A conclusão, publicada no livro Pontos de Ruptura e Transformação (Cultrix, 1995), mostrou que os níveis de criatividade caem drasticamente ao longo da vida. O estudo acompanhou 1600 jovens durante 15 anos. Os testes de seleção de cientistas e engenheiros inovadores da agência espacial dos Estados Unidos (Nasa) serviram de base para o estudo. Na primeira aplicação da prova, em crianças com idades de três a cinco anos, o índice de criatividade medido pelos pesquisadores foi de 98%. Aos dez anos, esse percentual caiu para 30%, e diminuiu novamente para 12% quando os mesmos voluntários estavam com 15 anos.

Um levantamento similar feito pela dupla, dessa vez com 200 mil adultos, verificou uma capacidade criativa de 2%. Uma das explicações para o fato é de que o ambiente – escola, família e trabalho – não incentiva a criatividade, mas a repetição de modelos já testados – e nem sempre eficientes. Nós adoramos entrar na zona de conforto. E vamos ficando medíocres. Na média silenciosa dos que não lideram novas bandeiras.

Mas é cientificamente comprovado que uma vida robótica é ruim porque não estimula o cérebro a produzir novos caminhos. Os velhos caminhos, soluções de sempre não estimulam a produção de neurotrofinas . Neurotrofinas são as proteínas que fazem as pontes entre os neurônios. E elas começam a diminuir após os 25 anos. Buscar caminhos novos, quebrar rotinas, ver as diferenças nas coisas iguais. Ou ver igualdade nas coisas diferentes estimula a produção de neurotrofinas.

O que precisamos saber é que tudo pode ser feito, sempre, de uma maneira melhor. E, para as empresas, a mensagem é de que estimular a criatividade é o caminho para antecipar necessidades e fabricar um futuro de sucesso. A necessidade é mãe da inovação. Mas ela precisa ser reconhecida. E a criatividade, é a melhor mola para a competitividade agradável e feliz.
Um bom começo é ler o Guardador de Rebanhos de Fernando Pessoa. E começar a praticar o que ele diz: penso com os olhos, penso com os ouvidos…

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Américo Barbosa, empresário de Comunicação, palestrante, professor em cursos de pós, especialista em Gestão de Pessoas, Criação e Inovação e doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP (americo @ egocomunicacao.com.br ).

Disney’s Approach do Inspiring Creativitiy – #astd2011

Disney InstituteConforme prometi vou postar um resumo dos melhores conteúdos da ASTD 2011, que é a maior feira de conteúdo/serviços/produtos para RH no mundo. Antes de começar a ASTD eu aproveitei e fiz um curso na Disney. Fazia tempo que queria participar de algum curso no Disney Institute.

Eu já tive a oportunidade de ver os bastidores da Disney e achei muito oportuna a chance de ver “como a magia acontece” em algum curso formal deles. Escolhi o curso “Disney’s Approach to Inspiring Creativity”, minha expectativa era aprender algumas técnicas “Disney” para pensar fora da caixa, estimular a criatividade no meu time, ajudar a ter novas idéias para meus livros e ainda aprender como a Disney faz tudo aquilo acontecer.

O curso foi dentro do parque Epcot do lado do Fast Track, em uma sala extremamente bem equipada (som maravilhoso, bem climatizada, espaçosa e cheia de “Mickeys”), foram dois instrutores que realmente estavam imbuídos do espírito Disney. Eram aproximadamente 60 pessoas, divididos em grupos de 8 pessoas por mesa.

A primeira atividade solicitada foi desenhar um Mickey e mostrar ao grupo como ficou. Depois ele ensinou como fazer usando um método, o que obviamente ajudou a sair um Mickey de verdade. Tudo isso para dizer que a Disney tem um método para a Excelência:

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Depois de boas risadas vendo o Mickey dos colegas, eles situaram que a criatividade era algo essencial no processo Disney de Excelência e que era um compromisso de todos na organização. Para atingir esse objetivo a Disney possui um “Modelo para Inspirar Criatividade” que contém 5 etapas:

1 – Identidade Organizacional – Quem você é e para onde vai o fluxo de idéias: Visão ; Missão ; Clientes e Essência.

Eu gostei da idéia de essência da Disney, ou seja, aquilo que os seus clientes “sentem” quando compram seu produto ou serviço. A idéia principal é que para pensar fora da caixa, primeiro você precisa saber qual é a sua caixa.

Sabendo quem você é, fica fácil saber o que você não é e o que deve ser cortado (100% a ver com o que falo em gestão de tempo). Por exemplo, no business de Disney Cruise (cruzeiros da Disney), eles tiraram os Cassinos dos navios, pois apesar de ser algo “vital em um cruzeiro”, não fazia parte da Essência Disney!

Essa foi à parte que mais gostei do curso, pena que tivemos apenas 35 minutos para ver esse conteúdo, acho que faltou um pouco mais de profundidade aqui, mas devido ao tempo, pois tinha conteúdo para isso.

Aqui valeram os US$ 700 que paguei pelo curso, tive uma idéia show de bola para o Neotriad, que acabou virando um novo produto… em breve divulgo para vocês.

2 – Cultura Colaborativa – Criatividade precisa de comunicação e integração entre as pessoas. Essa parte falou sobre propósito (a sua empresa tem um propósito?), valores compartilhados, comunicação, confiança e variedade de perspectivas.

Aqui eu acho que o tempo foi extremamente mal aproveitado, pois passamos praticamente 2 horas aprendemos técnicas simples e bobas de brainstorm.

Depois saímos para campo, fomos a uma atração do Epcot do filme Nemo, onde uma tartaruga interage com a platéia. Um exemplo de colaboração de equipes e também do mix de conteúdo, entretenimento e aprendizado.

3 – Sistemas Estruturais – O princípio é que processos, parâmetros de budget e políticas, ajudam a discernir quais são as idéias que devem ser escolhidas ou abortadas. A idéia básica para um processo de melhoria contínua, de acordo com a Disney:

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Aqui novamente fizemos uma série de dinâmicas bobas, sem link com o conteúdo apresentado previamente.

4 – Papel do Líder – Seu papel como líder é ter responsabilidade por apoiar as áreas do processo criativo, comprometimento em fazer a coisa acontecer e inspirar seu time.

Eles comentaram sobre uma técnica Disney de StoryBoarding, mas ficou óbvio que não tinha mais tempo para nada e não conseguimos fazer nenhum exercício sobre. O instrutor apenas comentou como fazer.

Resumo da Experiência:

O curso é básico, cheia de dinâmicas sem sentido ou link com o conteúdo, a apostila é super simples e não tem nenhum recurso extra, não tem nada demais. Os vídeos utilizados são legais, mas nada que marcou para contar para vocês. Eu não tive nenhuma grande idéia para aplicar na empresa, com exceção da que já falei, de ter identificado um público meu que não era o alvo.

Em termos de qualidade, logística, material, um curso Triad dá de 10, realmente isso foi bacana de comparar, o quanto temos de qualidade superior à Disney.

Se eu recomendo você fazer esse curso? Sim, se nunca teve nenhuma idéia do que é um brainstorm, de resto, vale ler qualquer livro ou fazer um curso de alguém especializado no assunto. Todos os participantes que estavam na minha mesa, ficaram altamente desapontados com o que esperavam do curso. Vale muito mais você ir ao Museu da Família Disney em San Francisco para ser inspirado a ser criativo do que fazer esse curso!

Se eu vou fazer algum outro curso da Disney? Provavelmente sim, dizem que o curso deles de qualidade e atendimento ao cliente é muito bom (se teve alguma experiência, por favor, comente..) vou pagar para ver, afinal de contas Disney é Disney.

Para quem quiser fazer, é preciso estar com o inglês em dia, tem muito trabalho em grupo, exposição e atividades, quem fala um inglês intermediário vai se perder (alguns chineses ficaram totalmente perdidos nos exercícios).

ahhh esqueci de dizer: não podia tirar fotos, ganhei um bone do mickey, um lápis do Mickey e giz de cera.

Como produzir Maçãs para produzir Newtons na empresa? by Américo Barbosa

Meu pai (publicitário, criador do conceito de endocomunicação e um dos caras mais inteligentes que conheço) fez um artigo bem legal para uma revista e pedi para publicar aqui no blog.

Segue o texto:

Se caísse uma maçã na cabeça de seu funcionário, ele xingaria ou sentiria prazer? Reclamaria que a tal da maçã já tinha ferrado com a Eva e agora fazia um galo na sua cabeça? Ou concluiria que realmente aquele ambiente não era assim, nenhum paraíso?

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Algo motivou Isaac Newton a olhar a situação com brilho nos olhos e fazer uma grande descoberta. Diferentemente da Branca de Neve que fechou os olhos em sono profundo após comer a maçã.

Para o arqueiro Guilherme Tell acertar maçãs na cabeça dos outros foi a sua consagração. Cada um deles criou um ambiente interno de motivação que permitiu sentir um benefício pessoal nos episódios. Essa é a chave dos programas para todos os níveis de funcionários. Porque é uma característica humana: a busca do prazer. Sim, é claro que há pessoas que sentem prazer no sofrimento (na opinião dos outros). Mas em qualquer caso, tudo o que o Ser Humano faz é positivado dentro de si. Ou seja, para ele sempre é positivo por mais negativo que pareça para nossa filosofia, religião, cultura ou simples opinião. Para quem toma a atitude, há algum tipo de prazer. Nenhum movimento é feito que não passe por esse processo. Juntando tudo isso temos a força de trabalho de uma empresa. Relações muito diferentes de cada um com as suas, nossas, maçãs. Não é possível à empresa fazer uma maçã específica para cada um. Fala-se muito hoje no EU S.A.

Mas há uma cobrança sub-reptícia das partes de que é a empresa que deve motivar sempre o funcionário. Ele se desculpa no ambiente e a empresa fica com sentimento de culpa. E o VOCÊ S.A.? Só tem capacidade de avaliar o exterior quem tem boa percepção de seu interior. Por isso a solução é que os programas estimulem e capacitem a auto-gestão para o trabalho e para a vida. Ou seja, ninguém morde a maçã por você. É o grande trabalho desta nossa Era: alinhar a missão pessoal com a missão da empresa. Para que as atitudes sejam convergentes com o comportamento desejado. Bom, já vimos que a empresa inteligente deve estimular a auto-gestão. Alguém só é líder de si mesmo se sentir confiança em si e na empresa. A empresa precisa ser justa no acerto e no erro. Afinal todos erram. Mas só os profissionais corrigem bem. Esse espírito é essencial para gerar a percepção correta de quando a maçã cai na cabeça (leia-se transformar um problema ou um insight em descoberta de uma solução para a empresa) de quando é jogada pela serpente (leia-se aquele que sempre reclama culpando a empresa pelo escorregão que deu no papel de chiclete jogado pelo colega no chão ). Achar que a causa de tudo está sempre fora de você desenvolve um inflamação congênita chamada desculpite. Ela tem um efeito de deixar as pessoas sempre fora dos contextos, dissociados da empresa.Tornam-se pessoas impermeáveis sem a cola ou o velcro do entusiasmo que faz as coisas valerem a pena.

O ambiente interior é o que faz o ambiente exterior

O Instituto Hearth Math de São José da California descobriu depois de muitas experiências que o coração emite um campo eletro-magnético de 3,5 metros. Assim, cada um de nós é uma antena emissora de bom humor, irritação, boa-vontade, vago desagrado ou entusiasmo. Agora visualize cada funcionário emitindo um desses estados emocionais. O resultado do clima organizacional será a massa interpenetrante das esferas sensoriais individuais. Mas se não soubéssemos disso diríamos que o ambiente de trabalho é a soma de todos os comportamentos. Ao final é a mesma coisa. Mas uma maçã podre pode interferir em todo esse suco de maçã. Por isso o ambiente da empresa deve ter anticorpos naturais para os que não tem esprit de corps. Se o funcionário tem o princípio da auto-gestão, ele desenvolve um prazer e uma dignidade que o torna pró-ativo e pró-good-will. Porque ele passa a ser o seu primeiro chefe e líder. E assim aprende a pensar circularmente, sentindo sempre sua relação com o ambiente. E vice- versa.
Cria um verdadeiro e produtivo diálogo interno. Aprende a ouvir a voz de cada trabalho e de cada acontecimento. Desenvolve o que chamo estado de atentividade. Passa a dar atenção a pessoas, a coisas e a situações que tenham uma convergência com seu sentimento interno. Seu parâmetro. Seu paradigma.
Seus princípios. O que lhe faz bem deixa-o atento. O que lhe faz bem justifica o prazer de sua existência. E a razão de sua existência, assim como na empresa, é a Missão.
O senso da Missão dá cor às maçãs do rosto. E produz Isaacs Newtons. Se a empresa plantar macieiras.