Stephen Covey: passado, presente ou futuro?

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Gosto muito do Stephen Covey, por sua abordagem com relação à vida, a liderança e temas de equilíbrio pessoal. Meu primeiro contato com a FranklinCovey foi em 98 quando iniciei, pela Blue Eagle, o desenvolvimento do site Brasil e logo depois me tornei instrutor do curso de administração de tempo. Tive a oportunidade de participar de eventos e conhecer o Stephen Covey pessoalmente e tenho grande admiração por seu trabalho.

Recentemente vi um post de uma entrevista no blog Zen Habits, com o Stephen Covey e traduzi livremente a entrevista neste post. Infelizmente o tom da entrevista, de outros posts que li e dos comentários posteriores posicionam o Covey como um guru do século passado que foi “ultrapassado” pelas modernas tecnologias e novas teorias como o Segredo e o GTD do David Allen.

Em minha opinião pessoal, os princípios dos 7 Hábitos e sua visão sobre liderança e equilíbrio de vida são universais e atemporais. Obviamente o mundo evoluiu muito desde que os 7 Hábitos foram lançados e sua visão sobre administração de tempo acabou ficando defasada com relação ao que existe de novo, mas Covey é muito mais do que isso. Eu diria que temos de aproveitar os 7 Hábitos como uma base para liderança pessoal e profissional e aprender com novas metodologias como a Tríade do Tempo, GTD, ZTD e outras.

Segue a tradução da entrevista para suas próprias conclusões:

Zen Habits: Para muitas pessoas seus livros são cheios de idéias de mudanças de vida, que eles ficam estupefatos. Eles querem começar, mas não sabem como. Qual seria o melhor primeiro passo para fazer uma mudança positiva?

Covey: Ouça sua consciência para alguma coisa que você simplesmente sabe que deve fazer, então comece pequeno, faça uma promessa e a mantenha. Então vá adiante e faça uma promessa um pouco maior e a mantenha. Eventualmente você irá descobrir que o senso de cumprir será maior do que seus velhos hábitos, e que dará para você um nível de confiança e excitação que pode fazer você ir para outras áreas aonde você sente a necessidade de fazer melhorias ou dar apoio.

Zen Habits: Para nos dar alguns insights na sua vida, o que é uma rotina típica matinal em um dia de trabalho, que incorpora alguns dos seus princípios em sua vida no dia-a-dia?

Covey: Eu faço um esforço toda manhã para conseguir o que eu chamo de “vitória privada”. Eu me exercito em uma bicicleta ergométrica, enquanto estudo as escrituras por pelo menos 30 minutos. Então eu nado vigorosamente na piscina de casa por 15 minutos, depois eu faço Yoga em uma parte rasa da piscina por 15 minutos. Então eu vou para minha biblioteca e rezo, escutando primeiramente minha consciência enquanto eu visualizo o resto do meu dia, incluindo atividades profissionais importantes e relacionamentos chave com as pessoas queridas, colegas de trabalho e clientes. Eu vejo a mim mesmo vivendo por princípios corretos e cumprindo valiosos propósitos. Uma das minhas frases favoritas é: “As maiores batalhas da vida são disputadas a cada dia nas câmaras silenciosas da nossa própria alma.” (David McKay). Muito dessa escuta e trabalho de visualização é muito desafiante, então eu venço a vitória privativa quando eu faço minha mente ascender e executar, para viver a vida por princípios corretos e para servir propósitos valiosos.

Zen Habits: Você tem algum pensamento que poderia compartilhar sobre filtrar o barulho na vida (especialmente ruídos de tecnologia) para focar nas coisas que são realmente importantes. Como nós podemos garantir ver os e-mails urgentes, mas sem viver conectado na nossa Caixa de Entrada?

Covey: Eu sou um afortunado de ter um time muito prestativo que permite que eu gaste tempo fazendo coisas que são realmente importantes, mas não necessariamente urgentes (olha ai a Tríade em ação! Ahahah – observação pessoal). Isto requer o desenvolvimento de uma declaração de missão pessoal que nos de um amplo contexto e também a determinação do que é realmente Importante, mas não Urgente. Pessoas que não têm equipe, precisam também fazer essas decisões para que eles possam dizer não para aquilo que é urgente, mas não é importante (ou seja, simplesmente urgente). Aprender a usar a tecnologia é uma forma de filtrar aquilo que você realmente sabe que é importante para sua vida pessoal e profissional. Lembre, tecnologia é um grande servo, mas um terrível mestre.

ZH: Qual é a configuração do seu trabalho? Que ferramentas você utiliza? Que tipo de computador e softwares são indispensáveis para você? Como você faz as coisas para otimizar sua efetividade?

Covey: Eu trabalho com uma equipe complementar, que significa edificar seus pontos fortes e organizar para fazer suas fraquezas irrelevantes. A tecnologia moderna é uma das minhas fraquezas, mas meus colaboradores fazem esta fraqueza irrelevante porque eles são excelentes com ela. Eu também acho a maioria das reuniões perdas de tempo, porque elas são tão mal preparadas e existem poucas oportunidades para verdadeira sinergia na produção de soluções melhores do que qualquer um imaginaria. Então eu trabalho pesado para apenas participar de reuniões que tenham uma importância estratégica e cancelo todos os tipos de reuniões aparentemente urgentes. Eu mantenho meu telefone não listado e encaminho para meus colaboradores todos os voice mails, e-mails e faxes.

ZH: Além dos seus livros, que outra leitura você recomendaria como indispensável, incluindo livros, revistas, websites ou blogs? Você lê blogs?

Covey: Eu não leio blogs, mas eventualmente as pessoas me dizem sobre o que eles contêm, e eu pego perguntas que vem de blogs, como essa entrevista. Meu time e eu também fazemos posts e vamos ampliar isso no futuro. Eu acredito que o hábito de ler bons livros, periódicos eruditos e revistas de várias matérias são vitais para uma perspective mais ampla e para o constante senso da natureza interdependente da vida. Eu provavelmente gasto 2 horas por dia lendo. Eu também envio muitos livros para propósito de endossos, o que me habilita permanecer relevante no meu próprio campo, e eu tenho pessoas que me ajudam a decidir qual desses eu devo ler e endossar.

ZH: Você leu Getting Things Done (David Allen) e O Segredo? Qual é sua opinião sobre esses dois fenômenos separadamente?

Covey: Eu li esses livros, gostei deles e acredito que eles contêm elementos de sabedoria e sugestões práticas. Mas para mim e meu mundo eles são muito simplistas e superficiais